Temos então um quadro claro sobre as origens medievais de Eiriz. Terra fértil, escolhida pelos povos germanos que aqui se fixaram e lançaram as bases do mundo medieval português.

Os séculos VIII e IX foram marcados pelo início da Reconquista Cristã, imediatamente a seguir à Invasão Muçulmana de 711.

Em termos demográficos, esta época é de retrocesso, acompanhado pela retração da área cultivada, e pela preferência dada ás colinas mais elevadas como lugar de habitat, devido à maior segurança que ofereciam.

A partir do séc. X, começa a recuperação económica. Intensifica-se o aproveitamento agrícola do solo e o desenvolvimento do pastoreio. Com o aumento da população, vão surgir excedentes demográficos, que irão contribuir para a intensificação do cultivo das terras do eixo Eiriz-Carvalhosa-Ferreira.

Eiriz é pela primeira vez referida no ano 976. É um testamento de uma dama que, temendo a morte por pecados cometidos, legava a um Ermitério instalado na Igreja de Santa Cruz de Cacães parte dos seus rendimentos agrários.

Eiriz terá estado mesmo na origem de Paços de Ferreira. Em tese ainda não cabalmente confirmada, é de supor que terá sido em Eiriz “o assento do Paço de Ferreira, para aqui mudado pelo Capitão Paulo Ferreira, e que deu o nome ao concelho.”

A família dos Ferreiras era originária de Espanha. Fixou-se em Eiriz e não tardou a erguer aí o solar ou paço da sua Quinta. Um dos membros mais importantes da família, D. Fernando Álvares Ferreira, viveu em Eiriz, no Paço de Ferreira, e serviu o rei D. Sancho I, de quem foi rico-homem, e “dele recebeu em mercê muitos herdamentos no referido concelho”.

A tradição oral diz que a Casa de Ferreira, no lugar de Ferreira, era muito antiga. Ainda lá existe a consta de duas casas unidas mas sucessivamente arranjadas. Diz ainda a tradição que a Capela da casa do Paço era da Casa de Ferreira, a cerca de 200 metros, e que foi de lá transferida.

Os mais velhos diziam que as procissões saíam da Capela do Paço, passavam pelo Cruzeiro de Ferreira e iam para a Capela de São Gonçalo.

Essa Capela de Ferreira teria vindo da família Ferreira, com paço em Eiriz, desde o séc. XIII, e transferida para Santa Eulália, que não pertencia ao Couto de Ferreira. Não espanta que assim tenha acontecido. Nestes heroicos anos da Reconquista Cristã, Eiriz era ponto importante da propriedade nobiliárquica. Esta tinha o seu denso núcleo original a Norte e a Noroeste, bordejando as serras e testemunhado a atividade militar desenvolvida pelos nobres nos tempos da Reconquista.

Eiriz é pois uma freguesia muito antiga e importante. Nas Inquirições de 1220, é indiciada já como Paróquia, surgindo nesse documento diversos topónimos relativos à freguesia: Eiriz, Cabo, Quintela, Vila Verde, Vilar, Boielo, Cal, Lavadeira, Quintana, Palheiro e Torre.

Eiriz é das poucas freguesias do atual concelho que volta a ser referida nas Inquirições de1258. Tendo em conta estas Inquirições, podemos dizer que as freguesias mais povoadas são aquelas que se localizam na zona de média altitude, como acontece com Eiriz, e também com Figueiró, Carvalhosa, Freamunde e Ferreira.

Este aumento da população está relacionado com a conquista para a agricultura de terrenos próprios das bouças e bosques, e com a intensificação da ocupação e exploração das terras aluviais. Nesta altura, a freguesia era de herdadores fidalgos, como antes já fora.

A Paróquia compunha-se de sete “villas” ou demarcações agrícolas: Quintela, Real, Vila Verde, Vilar, Bustelo e Quintã, no Paço.

Apesar de todo o protagonismo evidenciado anteriormente, Eiriz vai acabar por ser integrada na Honra de Carvalhosa durante o séc. XIII.

Uma Honra significou, nos primórdios da Nacionalidade, e mesmo depois disso, uma terra imune pertencente a um Nobre. Por outras palavras, determinado território que fosse doado a um Nobre, era considerado uma Honra e tinha a partir daí uma série de privilégios, dos quais a isenção do pagamento de impostos, o direito de justiça e a proibição da entrada dos oficiais régios, não eram os menores.

As Honras surgiram em Portugal devido à Reconquista Cristã e à necessidade premente de povoar o mais rapidamente possível o território que ia sendo conquistado aos Mouros.

A Honra da Carvalhosa localizava-se, em grande parte, numa das paróquias de mais antiga implantação nobiliárquica, aquela onde, nos limites com Eiriz, se localizava a quintã dos Sousas, e cuja igreja era de exclusivo padroado nobre. Nesta altura, abrangia um vasto território.

Estendia-se por seis freguesias: Eiriz, Cacães, Sanfins, Portela, Gonsende e Figueiró. Os seus limites foram fixados por uma Inquirição, hoje perdida, tirados por Rodrigo Pais e Gonçalo Moura.

A crescente centralização régia acabaria por ditar o declínio e o fim das Honras.

A partir de 24 de Maio de 1385, Eiriz e as restantes freguesias do atual concelho de Paços de Ferreira passaram a pertencer ao Termo do Porto e a depender da sua Câmara Municipal, porque D. João I decidiu premiar os homens-bons da cidade, pela lealdade demonstrada na crise que antecedeu a sua subida ao trono, com a doação daqueles territórios.

Desde a Idade Média, Eiriz esteve integrada no Julgado de Aguiar de Sousa. Em termos religiosos, pertencia à Arquidiocese de Braga, juntamente com Codessos, Sanfins, Lamoso, Raimonda, Figueiró e Carvalhosa.