Se a imprensa é a alma de uma terra, como alguém já referiu, não se pode dizer que o património cultural também não o seja. Os monumentos religiosos, as belas casas solarengas ou as Quintas Senhoriais, tudo isso é parte integrante de uma povoação. Individualiza essa população em relação às outras, torna-a singular, única.

O património cultural e material também concretiza essa função. De dar vida a uma povoação, a um conjunto de casas ou de árvores, de “pôr as pedras da calçada a falar”. São as tradições, as lendas, as simples “estórias” que os mais velhos têm para nos contar. E contam-nos sempre. Nem que para isso tenham de desenferrujar uma memória calejada por anos de alegrias e tristezas, de grandezas e misérias. Como veremos mais à frente.

O património material de Eiriz, os vestígios históricos que nos chegaram do passado, conservam-se ainda em número significativo, ao contrário do que aconteceu em outras freguesias. Verdadeiros “ex-libris” de Eiriz, como a Igreja Paroquial, a Capela de Nossa Senhora dos Remédios ou o Padrão quinhentista do lugar do Cabo, conhecido como o Senhor de Pedra, reguem-se ainda hoje, majestosos, e contam-nos um pouco do que foi a história da freguesia.

Igreja Paroquial é humilde, mas o seu estudo revela alguns aspetos interessantes. Datada do séc. XVII, forma um precioso conjunto, com os seus padrões doCalvário antigo, os quais são parte importante do vasto património de esculturas graníticas co concelho. No seu interior, realce para a Capela-mor, revestida de azulejos bem conservados. Na sacristia, uma bela imagem Setecentista de Nossa Senhora, que se conserva, tal como os Anjos Candelários sobreviventes.

 

Na capela lateral da Igreja, a chamada Capela de Nossa Senhora da Assunção, vulgo Nossa Senhora dos Cheiros, encontra-se o mais antigo retábulo existente no concelho, segundo D. Domingos de Pinho Brandão. Um belo e harmonioso retábulo seiscentista, com os seus painéis de tábua pintados. Ao centro, o quadro da Virgem. Na parte inferior, três quadros, e na parte superior outros, mais pequenos, com a Santíssima Trindade no meio. Uma excelente relíquia da arte retabular, de sabor maneirista tardio.

Por legado de “consciência”, Nossa Senhora da Assunção goza o direito de lhe acenderem uma vela aos domingos e dias santos, durante as missas, o que é religiosamente cumprido.

Esta Capela terá pertencido aos militares de Carvalhosa e é anterior à Igreja Matriz. Hoje, limita-se a um altar dessa Igreja, um belo altar, que ainda mantem campanário próprio.

Igreja Paroquial teve em tempos um fresco que, juntamente com um outro da Igreja Velha de Sanfins, testemunhava o rico passado da pintura mural do concelho. Dele nada resta, infelizmente por destruição.

Capela de Santo António data de 1680 e foi construída no lugar de Vila Verde. Caída em ruína, boas intenções a fizeram reedificar no Outeiro do Souto, a 300 metros do seu lugar original, graças ao empenhamento do Padre Amaro dos Santos e da população em geral, que se preocupou em respeitar a traça original daCapela.

Todos os anos, na noite de 12 para 13 de Junho, “os Antónios chamavam a si a realização de caprichoso programa festivo.”

Capela de Nossa Senhora dos Remédios ergue-se junto à Quinta do Paço. Esteve implantada inicialmente no lugar de Ferreira, mas acabou por ser deslocada para o local onde hoje se encontra.

A sua reedificação ficou a dever-se ao Padre Rafael Ferreira de Matos, nos finais do Séc. XVI.

Uma escritura de 25 de janeiro de 1754, relativa à Capela, reza na epigrafe: “Obrigação à Fábrica de Capela que fez Baltasar de Matos Sequeira e Noronha, fidalgo da Casa Real, morador na sua Quinta do Paço, Freguesia de S. João de Eiriz, termo da cidade do Porto”. Aí se diz que os antepassados de Baltasar de Matos tinham mandado fazer uma Capela no lugar de Ferreira. Mudara aquele a capela para junto das casas em que vivia.

Uma Capela de belos traços, mas de propriedade privada. Interiormente, revela pormenores de algum interesse, como a imagem da Padroeira oitocentista. Entre o templo e o solar, nota-se em testa mural a pedra armoriada dos Ferreira de Matos.

Ermida de São Gonçalo é um templo simples, situado no Monte do mesmo nome, e onde se realizam as festividades anuais da freguesia.

 

Data de 1680 a primeira alusão à Ermida, embora indireta. É uma referência a certo dízimo aplicado na devesa de S. Gonçalo, o que pressupõe a existência daErmida. Segundo refere o Padre Lemos Ferreira, nas Memórias Paroquiais de 1758, chegou a ser a matriz da freguesia.

Numa bouça vizinha, surgiram em tempos sinais de sepulturas. A Capela do Senhor da Cruz, recente, fica situada no topo do cemitério. Foi benzida na manhã de 1 de Abril de 1984 pelo Prelado auxiliar da DioceseD. José Augusto Martins Fernandes Pedreira, em visita pastoral.

Da Capela de Santa Cruz de Cacães, nada resta hoje em dia. A Basílica de Santa Cruz de Cacães constituiu um conjunto dominial onde nem o mordomo nem o juiz do rei podiam entrar.

Capela do Senhor das Bilheteiras, entretanto desaparecida, terá existido no meio de Bouças, a Sudoeste de Eiriz. Era uma capela pequenina, quase limitada a um só altar coberto.

Em termos de Casas Solarengas, não pode deixar de ser referenciada a belíssima Casa do Paço, com a sua Quinta.

Eiriz apresenta, a exemplo do que acontece um pouco por todo o concelho, uma variedade interessante de esculturas em granito, mais propriamente calvários, cruzeiros e padrões.

Uns apresentam motivos da Paixão em relevo, e outros realçam a imagem de Jesus Cristo e de Nossa Senhora.

No adro da Igreja Matriz, há um conjunto de padrões e cruzeiros que vêm elo menos do séc. XVII.

Junto à estrada, mas um pouco oculto, existe um belo Padrão quinhentista, com a imagem de Cristo esculpida, a quem o povo chama “Senhor de Pedra“.

Com decoração Manuelina, ostenta a Cruz dos Templários, cordas e folhas de canto.

Quem visitar Eiriz, não deverá perder os conjuntos rurais edificados de Vila Verde e de Cacães.