Eiriz foi povoada desde muito cedo, facto natural se tivermos em conta as condições naturais de que os povos primitivos desfrutaram. O clima era favorável, o solo fértil e a vegetação densa e arborizada.

Os primeiros vestígios de sedentarização, baseada numa economia agrícola, no concelho de Paços de Ferreira, remontam ao quarto milénio a. C.. A chamada cultura megalítica, marcada pela prática da inumação coletiva em grandes monumentos construídos para o efeito, deixou algumas marcas, que nos permitem conhecer um pouco do modo de vida destas populações neolíticas.

Eram povos que viviam da agricultura e da domesticação de animais e habitavam em pequenas e toscas casas de argila ou madeira. Construíam dólmens, antas e mamoas, monumentos constituídos por uma câmara e um corredor de acesso, coberto por lajes, nos quais sepultavam os seus mortos.

Ficou célebre, em Paços de Ferreira, o dólmen de Lamoso, construído por esses povos há mais de 3 mil anos para enterrar os seus mortos e realizar cerimónias tribais ligadas à magia astral e ao culto da fertilidade.

Outros vestígios de monumentos megalíticos, que certamente existiram em Eiriz e no resto do concelho, não chegaram, infelizmente, aos nossos dias.

Entretanto, ligada à civilização do ferro, desde o séc. X que se fora desenvolvendo no território da Península Ibérica uma civilização castreja, que seria como que um vínculo entre os povoadores do Neolítico e os Lusitanos.

Os castros eram povoações fortificadas, definidas por duas ou três linhas de muralhas, que se ergueram no cimo dos montes, nas quais se fixavam tribos, em busca de segurança e de defesa contra grupos rivais.

No interior das muralhas, eram construídas casas de pedra, redondas, retangulares ou oblongas, cobertas de colmo ou de ramos de árvores.

Assim se manteve, durante vários séculos, uma civilização pobre e arcaica, que se dedicava a uma agricultura de subsistência.

Só com a chegada dos Romanos à Península Ibérica, no ano de 219 a. C., esses castros começaram a ser abandonados e as populações que aí habitavam começaram a descer às planícies, aos férteis vales aluviais.

No território que constitui atualmente a freguesia de Eiriz, surgiram diversos testemunhos desse período.

No lugar da Bouça da Devezinha Nova, o Abade de Tagilde, Pe. Oliveira Guimarães encontrou uma Necrópole luso-romana.

Foi recolhido, por entre um numeroso espólio que entretanto se perdeu, uma bilha de bojo ovóide e gargalo alto, exposta no Museu Martins Sarmento, e uma lucerna aberta, com reservatório em forma de taça e três aberturas para a passagem da mecha.

 

Relativamente próximo, no lugar de Real, foi descoberta em 1951, um par de mós dormentes e giratórias, a sugerir também a existência de um povoamento correspondente a uma necrópole luso-romana, que nos faz pensar na zona de influência de Sanfins neste período.

Terá sido nesta altura que Eiriz conheceu a sua primeira forma de unidade política. Com efeito, todos os núcleos populacionais castrejos desta zona parecem ter estado coordenados entre si, sob uma mesma organização política e administrativa, dominada sem dúvida por Sanfins. Aliás, a influência de Sanfins, ou de algum chefe local aí radicado, estendia-se a grande parte do atual território concelhio. A cartografia dos castros e necrópoles do período tardo-romano evidencia um progressivo movimento de ocupação das vertentes das colinas e dos rios, mas que nesta altura não atinge um raio elevado de expansão, uma vez que raramente ultrapassa as margens direitas dos rios Eiriz, Carvalhosa e Ferreira.

Os Romanos não terão aceitado bem este “habitat” castrejo, demasiado aguerrido e baseado numa economia de subsistência. Aos poucos atraíram a população para as zonas baixas onde a cultura intensiva de cereais era viável e por via disso se tornava possível a recolha de excedentes e a cobrança de impostos.

A zona de influência da Citânia de Sanfins quando romanizada estendeu-se por certo a toda a área que atualmente compõe a freguesia de Eiriz. É pertinente referir-se que ao tempo as demarcações administrativas, como existem atualmente, não faziam qualquer sentido. O próprio balneário público, a Sudoeste da grande Citânia de Sanfins e hoje em terrenos da Freguesia, serviria a generalidade da população.

Séculos passados, Eiriz mantêm-se uma zona essencialmente agrícola, onde a indústria de móveis e têxteis se encontra como que deslocada. Ainda mantém 12 moinhos de cereais em atividade ou parados o que não deixa de ser um testemunho deste passado agrícola.