No ano de 409, povos de origem germânica, de que se destacariam os suevos e, posteriormente, os visigodos, invadem a Península Ibérica e, passados dois anos, conquistam toda a região.

O Império Romano, em decadência, foi facilmente substituído por um povo guerreiro e pagão, que durante três séculos dominou o futuro território português. É um período rico da história de Portugal, importante na formação do país.

Com os suevos e os visigodos, vão ser lançadas as bases de um mundo novo, o mundo medieval. Começa a desenhar-se uma nova organização social e política do território, e no domínio religioso, a ascensão do Cristianismo como religião oficial, dominadora, monopolizadora das consciências. Por via de um povo bárbaro entretanto convertido ao catolicismo.

Bárbaros porque não falavam o Latim, antes uma língua “estranha”. Foram assim apelidados quando se “atreveram” a invadir território romano. Mas, apesar de rudes e habituados à arte da guerra, depressa fizeram amizade entre a população íncola, e rapidamente passaram a dedicar-se ao trabalho dos campos, trocando, na feliz expressão de Osório, “a espada pelo arado”.

A sua ação perdurou no tempo. Todo o mundo medieval português tem as suas raízes nesta época, principalmente as instituições religiosas, embora a invasão muçulmana tenha interrompido, mais a Sul que a Norte, todo este processo.

As razões de uma tão perfeita assimilação entre os povos locais e uns germanos aparentemente tão diferentes, teremos de as encontrar nos finais do domínio romano em Portugal.

A situação económica do Império degradava-se dia após dia, e quem sofria mais era a classe trabalhadora, os colonos semilivres, que viviam praticamente numa situação de escravidão.

Por tudo isto, não se defrontaram os Suevos com uma resistência popular forte e minimamente motivada para o combate.

Durante o período suevo e visigótico, assistiu-se a um crescimento demográfico, que acentuou os progressos do povoamento e da agricultura. Ou a passagem de uma economia guerreira a uma economia agrária, de um povoamento concentrado a um povoamento disperso, das muralhas aos campos.

No extremo de Eiriz, nos limites com Meixomil, terá existido uma freguesia sueva, chamada de Santa Cruz. Dessa suposta Basílica de Cacães, datada do séc. V d.C., restou uma bilha em barro, em que, com moldes especiais, foram aplicados motivos decorativos diversos.

Existiram ainda dois cemitérios proto cristãos na freguesia, provavelmente do tempo visigótico: um no Monte de São Gonçalo, junto da Capela, e outro na Bouça das Cinzas, no lugar de Além.

A presença dos suevos e visigodos na toponímia de Paços de Ferreira demonstra à evidência a importância da sua passagem pela região. O exemplo mais significativo é porventura Freamunde, topónimo suevo que apela à transparência de proteção na paz.

O nome Eiriz, pelo contrário, evoca a Nobreza guerreira. A sua raiz, Aria, significa nobre. Alguns autores completam esta tese, e referem que Eiriz é um antroponímico, ou seja, Eiriz seria filho ou descendente de Erigo ou Eurico, senhoria militar ou descendente da época. De qualquer maneira, é sem qualquer dúvida um topónimo germânico, tão comum em toda a região.